FIASCO: RESENHA

por Rey "Ooze"

Fiasco é um RPG longe do usual. É um daqueles jogos Indies cuja temática soa estranha, a jogabilidade não é das mais comuns e você acha que tem tudo pra dar errado. Depois de ler e jogar a primeira partida você percebe o quão você estava certo. Fiasco foi feito pra dar errado!

Este é um jogo que toma por inspiração filmes como Pulp Fiction, Porcos e Diamantes, Cães de Aluguel e demais produções onde as coisas não saem como se espera. Sin City é um ótimo exemplo de Fiasco em Grafic Novel.

Em Fiasco você mal escolhe o personagem com o qual irá jogar e tampouco sabe exatamente o que vai acontecer na sessão de jogo. Você saberá qual será o cenário básico (uma cidadezinha ao sul dos Estados Unidos, o Velho Oeste, uma estação de pesquisa na Antártida) e só. Não existe um narrador para orientar sua conduta, já que todos os jogadores são os narradores. Tudo é decidido em consenso, utilizando tabelas, os dados e uma boa dose de sacanagem (nota: Não estranhe se esta resenha parecer caótica e confusa. Estou apenas colocando-os no clima do jogo).

Como Joga?
Eu não vou descrever todas as regras do jogo. Basta dizer que elas são simples e leves com poucas margens para dúvidas. Tentarei apenas situá-los para que compreendam porque tudo no final vira um divertido fiasco.

Fiasco se joga com uma montanha de dados de seis faces - são quatro para cada jogador, sendo que 2 devem ser brancos e 2 devem ser pretos (ou alguma outra cor que vocês possuírem em casa - eu utilizei branco e vermelho).

A primeira coisa a se fazer é rolar os 12, 16 ou 20 dados (o jogo recomenda uma formação máxima de cinco jogadores e no mínimo três) e a partir deles usar uma vasta tabela como Preparação para o Cenário. Cada número no dado corresponde a uma entrada na tabela do Cenário e estas entradas especificam as suas Relações com outros jogadores, suas Necessidades durante o jogo, os Objetos que você possui (ou pode vir a possuir) e as Locações desta sessão. Uma vez decidida a Preparação, começam as Cenas.

Luz, Câmera, Ação
Quando terminar a Preparação, você já terá uma ideia de qual é seu personagem. Ele já terá duas relações: uma com o jogador à sua esquerda e outra com o jogador à sua direita. Você provavelmente terá alguma Necessidade (seja sair da cidade, transar com sua subalterna ou se vingar de um golpista, etc.) e quiçá um Objeto (será uma 12 cano cerrado ou uma caixinha de musicas?). Á partir daí você já pode criar sua cena tendo em mente duas diretrizes: ou você estabelece a cena ou você a resolve. Você não pode fazer os dois.

Ao estabelecer, você cria uma cena que irá focar seu personagem e servirá para você cumprir seus objetivos. Esta cena poderá ter interpretação ou ser apenas descritiva. Pode ser um flashback ou uma cena presente. Você decide quem estará presente e qual a estrutura da cena, porém são os outros jogadores que irão decidir como esta cena acaba. Eles pegam um dos dados da pilha e te entregam. Se for branco, a cena acaba de forma positiva para seu personagem; se for preto, acaba de forma negativa.

Ao resolver, você pede para seus amigos criarem uma cena que enfoque seu personagem. Prepare-se para ser surpreendido! O lado bom disto é que você define como esta cena terminará para seu personagem, escolhendo para si um dado branco ou preto, como anteriormente.

Dizendo assim, parece uma escolha óbvia: sempre resolva! Mas o sistema de regras e o andar do jogo farão você notar que nem sempre esta é a escolha mais sábia (ou divertida).

As cenas vão rodando os jogadores um a um e todos são livres para sugerir e opinar. No meu jogo, eu estava terminando a cena final de meu personagem sacrificando-o para salvar a minha amada – um travesti que usava uma prótese de madeira na perna. Um dos jogadores sugeriu: “Enquanto você parte para cima deles, os policiais atiram em você e param sua cadeira de rodas com o pé, quando você morre, soltando o pino da granada!”. Isso foi épico e todo mundo na mesa ficou empolgado, até mesmo eu! 

Neste jogo você não pode querer ter o controle total sobre as coisas a sua volta porque isso não vai acontecer. O ideal é você pegar o que te deram e se divertir com isto.
 
O acerto de Contas
No fim não haverão mais dados na mesa, cada jogador obteve quatro cenas e é bem provável que ele esteja á beira de um colapso (ou dentro de um porta-malas).

No final das contas não importa se o seu personagem se deu bem ou se deu mal. Importa é que você participou de uma bela aula de improvisação e narração compartilhada.

Fiasco não é um jogo para os moralistas e também não é para você que gosta de jogar uma campanha. Cada jogo de Fiasco tem começo, meio e fim e você provavelmente não gostaria de revisitar aquele personagem depois das coisas que será obrigado a fazer (amante de um travesti perneta? Really guys?).

Fiasco é um jogo para você que sabe a diferença de um jogo e da realidade e que não tem medo de entrar até o pescoço em um mar de lama! E pra você que não manja nada de inglês, dentro em breve, pegue sua cópia em português numa RetroStore mais próxima de você.

Se você gostou desta breve pincelada sobre este excelente jogo, compareça a RPG Con, pois haverá muitas mesas de Fiasco patrocinadas pela RetroPunk. Eu estarei lá pronto para orientar o caos!

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Comentários

"Arquimago, desculpe, mas se você pensa em misturar este hobby com bebidas ou seja lá qual for o tipo de droga que qualquer pessoa possa imaginar certamente você não sabe o que é RPG."

Confesso que não entendi... então tá proibido jogar RPG enquanto se bebe uma breja?!?! Se meu grupo faz isso não estamos jogando RPG, é isso?!?! Ou só existe uma jeito de se jogar RPG?!?!

Incrível, comprei, e com menos de 7 dias chegou.
Sobre o livro, é muito bom, já joguei uma sessão, demos várias risadas, joguei com amigos que nunca tinham jogado nenhum rpg, e eles adoraram.
Outra coisa boa, é a tradução, que ficou ótima, a qualidade do material, com fontes alternativas, imagens espetaculares...
Enfim, é um prato cheio para uma boa tarde de diversão.

Arquimago, desculpe, mas se você pensa em misturar este hobby com bebidas ou seja lá qual for o tipo de droga que qualquer pessoa possa imaginar certamente você não sabe o que é RPG.
Mas, enfim, a idéia do jogo é excelente.Tem uma proposta completa de roleplay e dá uma aula para todos aqueles advogados de regras que todos nós já cansamos de ver nas nossas mesas.Vlw

Incrível! Não tava com muita vontade conhecer mas depois da resenha me animei. Parece ser extremamente divertido e fora do padrão!
Ótimo para se jogar se durante sua campanha principal os jogadores faltam e você para não precisar adaptar muitas coisas.
Jogar algo assim deve render uma aventura extremamente diferente a cada sessão! Ótimo!

muito bacana,

tenho até medo desse jogo nas mãos de uns amigos de mesa. eheh

Gostei muito da ideia geral do jogo; com certeza vou adquirir a versão nacional assim que for lançada.

Me parece bom para eventos mesmo, e claro um dia de jogo sem compromisso.

Mas algo me diz que com certaz bebidas, isso pode ficar ainda mais doido!

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